O mês de julho foi marcado por maior volatilidade nos mercados, com destaque para a correção das ações ligadas aos investimentos em Inteligência Artificial (IA) e para o aumento das tensões no Oriente Médio. Após meses de forte valorização de empresas relacionadas a chips, fibra óptica, sistemas de resfriamento e outros equipamentos utilizados em data centers, esses ativos passaram por uma correção, influenciada pelo aumento da capacidade de produção, pela maior concorrência chinesa e pela realização de lucros após as fortes altas registradas nos meses anteriores.
No cenário internacional, as tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a aumentar. O acordo iniciado em junho não avançou como esperado e os dois países voltaram a trocar ataques. Como consequência, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz foi prejudicado. O conflito também voltou a afetar o Mar Vermelho, reduzindo as alternativas para o transporte de petróleo e aumentando as preocupações com os preços de energia.
Nos Estados Unidos, os dados de julho mostraram uma economia ainda forte. A criação de empregos ficou abaixo das expectativas, mas permaneceu em nível saudável, enquanto a taxa de desemprego recuou. Os indicadores de atividade também surpreenderam positivamente, principalmente o consumo. Na inflação, o núcleo do PCE – índice de preços das despesas de consumo pessoal – veio abaixo do esperado, enquanto os custos de mão de obra permaneceram controlados.
Nesse cenário, o Federal Reserve manteve os juros estáveis. A comunicação do banco central, porém, gerou dúvidas no mercado, principalmente após os comentários de Kevin Warsh, considerados mais favoráveis à redução dos juros. Ao mesmo tempo, suas declarações foram pouco claras sobre os próximos passos da política monetária, aumentando a volatilidade dos juros americanos.
No Brasil, o destaque positivo foi a inflação. Tanto o IPCA quanto o IPCA-15 vieram abaixo das expectativas, principalmente devido à menor pressão dos preços de alimentos e de alguns núcleos. Apesar disso, as expectativas de inflação para os próximos anos continuaram subindo. Por outro lado, o mercado passou a considerar mais provável um novo corte da Selic ainda em 2026.
A atividade econômica apresentou sinais de desaceleração, com a maioria dos indicadores abaixo das expectativas, o que pode favorecer a continuidade do processo de redução dos juros pelo COPOM. O mercado de trabalho, entretanto, continuou aquecido, com a geração de empregos formais próxima das expectativas e a taxa de desemprego estável.
Nesse ambiente, o Plano Prever registrou rentabilidade de 0,97% em julho, abaixo da meta de 1,30% (CDI + 1% a.a.). A bolsa brasileira apresentou alta de 3,5%, mas com forte concentração em empresas ligadas ao petróleo, beneficiadas pela valorização da commodity em meio ao aumento das tensões geopolíticas. Apesar da alta do Ibovespa, algumas das principais posições da carteira tiveram desempenho mais fraco, especialmente no setor de utilities — empresas de energia elétrica, saneamento, água e gás — impactado pela abertura dos juros. Dessa forma, a composição dos ganhos do índice limitou a contribuição da renda variável para o resultado do Plano.
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