Por Ana Carolina Nunes Barreiros, Especialista de Investimentos da OABPrev-SP
Entenda o que muda no cenário global e como a estratégia do plano atravessa momentos de instabilidade.
Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel realizaram ataques aéreos coordenados contra alvos militares e governamentais no Irã, incluindo instalações associadas ao programa nuclear iraniano. Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto, marcando uma escalada relevante nas tensões geopolíticas na região.
Como resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Parte desses ataques também atingiu ou cruzou o espaço aéreo de países do Golfo, como Arábia Saudita, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
A principal fonte de tensão está relacionada ao programa nuclear iraniano, que é alvo de preocupação por parte dos Estados Unidos e de Israel.
Por que esse conflito impacta os mercados?
Além do aspecto militar, o conflito possui implicações econômicas relevantes. A região abriga o Estreito de Hormuz, uma das principais rotas globais de exportação de petróleo e gás natural, responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.
As ameaças a embarcações na região já provocaram redução temporária no fluxo comercial nos primeiros dias do conflito. Se esse cenário continuar, os preços do petróleo e de outras fontes de energia podem subir.
Esse movimento tende a gerar um efeito em cadeia:
• Aumento do preço do petróleo;
• Elevação dos custos de energia;
• Pressão inflacionária global.
Além disso, com a inflação mais elevada, os bancos centrais tendem a adotar maior cautela na condução da política monetária, o que pode postergar ciclos de redução de juros nas principais economias.
Reação dos mercados globais
Do ponto de vista dos mercados, a escalada das tensões elevou a aversão ao risco no curto prazo. Esse cenário costuma se traduzir em:
• Maior volatilidade nos mercados financeiros;
• Oscilações nas bolsas globais;
• Ajustes nas expectativas em relação à política monetária.
A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo segue como um dos principais fatores de atenção, com potencial de sustentar um viés de alta nos preços da commodity e ampliar as pressões inflacionárias.
Impactos para o Brasil
Já no Brasil, os efeitos tendem a ser mistos. Do lado positivo, a alta do petróleo pode beneficiar empresas do setor de energia. Por outro lado, existem fatores de atenção relevantes:
• Pressão inflacionária via commodities;
• Possível depreciação cambial;
• Abertura da curva de juros;
• Maior aversão a risco em mercados emergentes.
Esses elementos podem afetar o crescimento econômico e o desempenho dos ativos domésticos, especialmente aqueles mais sensíveis à variação de juros.
E o que isso significa para o Plano Prever?
Nesse contexto, os investimentos do Plano Prever podem ser impactados pela maior volatilidade do ambiente global, especialmente no curto prazo.
O time de investimentos da OABPrev-SP acompanha continuamente a evolução do cenário, em conjunto com os gestores, avaliando riscos e adotando medidas para mitigar impactos relevantes.
A postura tem sido mais prudente, com priorização de estratégias de proteção e preservação de capital, aliada à diversificação do portfólio como mecanismo de redução de riscos.
Ainda assim, o cenário exige cautela na alocação e disciplina na gestão. Oscilações fazem parte do ambiente de investimentos, especialmente em momentos de maior incerteza.
O mais importante, nesse contexto, é manter uma estratégia estruturada, com decisões técnicas e visão de longo prazo.