Previsto para 2023, fim do bônus demográfico brasileiro veio em 2018

2018-08-16T11:43:06+00:00 terça-feira ,31/07/2018|

O bônus demográfico que favorecia o crescimento da economia brasileira desde a década de 1970 acabou cinco anos mais cedo que o previsto. Um novo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 25 de julho, revela que a população de idosos e crianças já cresce mais que a de brasileiros economicamente ativos, com idade entre 15 e 64 anos. Essa inversão era prevista para 2023.

Pelas projeções do IBGE, os brasileiros com mais de 60 anos serão 32% da população do país em 2060 – hoje, são 13%. Em sentido contrário, a população de crianças de até 14 anos cairá de 21% para 15%. O que se deduz desses percentuais é óbvio: a população brasileira está envelhecendo, e a cada dia há menos brasileiros trabalhando e mais brasileiros vivendo à custa de pensão e aposentadoria.

“O que o IBGE acaba de divulgar só reforça o que já sabíamos: a necessidade de se fazer o quanto antes a reforma da Previdência, a qual deve acontecer acima das questões políticas”, afirma o presidente da OABPrev-SP, Marcelo Sampaio Soares. “Os números comprovam a urgência de uma reforma que reverta o déficit do setor, e, por outro lado, devem alertar a população para que busque alternativas que lhe assegurem um futuro tranquilo”, acrescenta.

Segundo o IBGE, o Brasil tem atualmente 12,4 milhões de pessoas com mais de 70 anos, o equivalente a 5,9% da população. Em 2030, os brasileiros com mais de 70 anos serão 20,4 milhões, ou 9% da população. Trata-se de um envelhecimento vertiginoso. Especialistas explicam que esse fenômeno deve-se à melhora da qualidade de vida registrada na última década, acompanhada da queda gradativa da fecundidade, essa decorrente de maior participação de mulher no mercado de trabalho.

O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, disse ao jornal Valor Econômico não enxergar um momento demograficamente favorável ao país pela frente. “A janela demográfica começou a fechar, mas ainda não fechou totalmente. Vai entrar menos luz na economia. A questão é que ela não está sendo aproveitada com o atual nível de desemprego”, advertiu.

Para José Reinaldo de castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea (Instituto de Políticas Econômicas), apenas a elevação da escolaridade da produtividade do trabalho pode compensar os males potenciais do fim do bônus demográfico: “São os ganhos possíveis para compensar essa perda quantitativa. A escolaridade torna o trabalhador mais capaz de produzir mais”.

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