Especialista em Economia Comportamental explica volatilidade do mercado

2020-04-01T19:48:16+00:00 sexta-feira ,20/03/2020|

“Ninguém quis ser o último a apagar a luz da renda fixa. Migraram todos para a renda variável com um otimismo exagerado e entraram em pânico no primeiro estresse que o mercado sofreu em tempos, como costumam fazer marinheiros de primeira viagem”. A observação é de Vera Rita de Mello Ferreira, autora dos primeiros livros sobre Economia Comportamental no Brasil, ao comentar, a pedido do OABPrev-SP Notícias, o pânico com a volatilidade dos mercados financeiros nas últimas semanas.

Os mercados sentiram os efeitos do status de pandemia adquirido pelo coronavírus e da guerra de preços do petróleo entre a Rússia e a Arábia Saudita. O dólar atingiu patamar nunca experimentado em termos nominais, acima de 5 reais, forçando intervenções do Banco Central no mercado de câmbio. A Bolsa de Valores (B3) teve sua queda mais expressiva desde 1998, e investidores correram para negociar papéis.

Segundo Vera Rita, que é doutora em Psicologia Social com tese em Psicologia Econômica, o cenário gerou em investidores de primeira viagem o que a psicologia e a economia comportamental – áreas que analisam a influência de fatores cognitivos, emocionais, culturais, sociais e psicológicos nas decisões econômicas das pessoas – chamam de “viés do presente”, comportamento ligado ao instinto humano de sobrevivência e de elevada aversão à perda, e que segundo a especialista já havia sido manifestado quando da queda da Selic.

“A euforia com os rendimentos elevados na Bolsa, aliados ao processo de redução das taxas de juros, fez muitos acreditarem que sairiam perdendo ficando em renda fixa. Porém, o aumento do apetite por risco não foi necessariamente seguido pela ponderação se haveria tolerância aos solavancos que o mercado poderia vir a dar ocasionalmente”, explica.

Para a especialista, a hora é de manter a calma, fincar os pés no chão e não se deixar render pelo “viés do presente” na tomada de decisões. “É muito importante ter tantas informações quanto possíveis, mas também vale a pena aguardar o desenrolar dos acontecimentos. É impossível prever o que irá acontecer”.

A tranquilidade é ainda mais válida para aqueles que investem com vistas ao longo prazo, como é o caso de fundos previdenciários, a exemplo da OABPrev-SP. A política de investimento da entidade estabelece limites de 5% a 15% em renda variável. “A estratégia de bolsa que mais parece funcionar nesses casos é a do buy and hold, isto é, quando você compra um ativo e o segura, visando se beneficiar de seus rendimentos e construir um patrimônio no longo prazo”, salienta.

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